Agronegócio

Sumário Executivo

Caracterização das Empresas da fileira de Tecnologias
e Serviços do Agronegócio

Por motivo da realização do Congresso das Tecnologias e Serviços do Agronegócio, uma equipa de investigadores ligada a uma grande Consultora portuguesa, realizou um Estudo de Caracterização das empresas da Fileira, cujas principais conclusões se resumem neste artigo

Em Portugal, existem mais de 1.000 empresas e entidades que se dedicam, como actividade única ou principal, ao fornecimento de serviços e tecnologias para o Agronegócio.

Grande parte delas são micro empresas (35% possuem entre 1 e 9 trabalhadores) ou pequenas empresas (cerca de 25% têm entre 10 e 50 trabalhadores), mas há também nesse número, empresas com dimensão relevante em termos de recursos humanos (6% das Empresas têm mais de 200 trabalhadores). Já em relação ao volume de negócios da fileira, 1/3 das empresas factura menos de 500.000 euros, mas uma parte significativa (34%) tem facturações superiores a 1.000.000€, e mesmo a 10 milhões de euros (12,6%)

Quase todas as empresas do sector empregam quadros universitários (98%) e uma grande percentagem – cerca de um quarto - tem nos seus quadros entre 75% a 100% de colaboradores com formação universitária. Estamos, portanto, em presença de um sector em que a preparação académica e científica dos protagonistas é relevante, em concordância com o seu próprio objecto de negócio. É também um sector de actividade com recursos humanos jovens, pois cerca de metade das empresas apresenta uma média de idades inferior aos 45 anos.

O sector das empresas das tecnologias e serviços do Agronegócio fornece primordialmente clientes da agro-indústria (33,1%) - entendida aqui como actividade transformadora, produtora e comercializadora de bens alimentares - seguem-se, como clientes da fileira, os sectores da agricultura (21,3%), pecuária (12,5%), florestas (8,1%) e, por último, as pescas (4,4%).

As empresas consideram-se fundamentalmente, como entidades que “prestam serviços à agro-indústria” (44,2%) ou que são “fabricantes de produtos finais e intermédios/matérias-primas” (37,9%). Já a “fabricação e comercialização de máquinas ou equipamentos” é também uma actividade com importância (17,9%) na forma como se descrevem a si próprias as empresas do sector.

Um aspecto que reforça em muito a importância da Fileira é que, mais de metade (53,7%) desenvolve as suas próprias tecnologias dentro da empresa, havendo ainda um elevado número (34,7%) que conjuga estas actividades de desenvolvimento interno e I+D com a adopção e comercialização de tecnologias desenvolvidas por terceiros. Ou seja, 88,4% das entidades do sector são empresas que desenvolvem tarefas de investigação, engenharia e desenvolvimento!

As empresas que constituem o sector são já razoavelmente exportadoras -quase 40% das empresas realizam vendas na exportação-, sobretudo a clientes dos sectores das agro-indústrias e da agricultura, em Espanha, França, nos PALOP’s (Angola Moçambique Cabo Verde e Brasil) e nalguns outros países da EU. Mas o impacto das exportações na facturação individual das empresas é ainda reduzido. Com efeito, um quinto das empresas assegura menos de 20% do seu volume de negócios na exportação, e apenas 14% das empresas da Fileira supera os 30% das vendas totais na actividade exportadora.

Obviamente, que as empresas da Fileira estão preparadas para este desafio internacional: pelo seu nível de excelência, pela qualidade das tecnologias que desenvolvem, pelo seu nível de preparação, pela sua capacidade de adaptação e de se promoverem externamente, e obviamente, pela qualidade dos seus outputs e produtos/tecnologias da sua oferta comercial e portefólios.

A abordagem à Excelência revelou que mais de 60% das empresas da Fileira possuem certificações (normalmente várias) da sua actividade empresarial, seja no domínio da Qualidade (38,2%), controlo de processos (HACCP, 17,3%), higiene e segurança (14,5%) e certificação ambiental (11,8%). Mais de metade das empresas da Fileira já obteve prémios e recomendações, um quarto delas é “PME Líder” enquanto 6,3% foi distinguida como “PME Excelência” (e mesmo 1,3% obteve a distinção de excelência “PME Inovação”).

Quando o Estudo investigou o nível tecnológico associado às actividades de R&D (desenvolvimento e research) das empresas, foi possível determinar que mais de metade (50,5%), fornece serviços ou tecnologia que envolvem “alguma investigação e desenvolvimento ou tecnologia específica”. Mais significativo ainda é que em 29,5% do casos, as empresas referem que “o serviço/tecnologia/ produto que fornecem envolve bastante investigação ou mesmo tecnologia de ponta”! Das mais de 1000 empresas do universo, apenas uma pequena parte não realiza actividades de I+D e cerca de 15% está envolvida na comercialização de tecnologias e serviços “com pouca investigação ou uma tecnologia básica”. Porém, a larguíssima maioria investiga, desenvolve e produz bens de elevada incorporação técnica e tecnológica, pelo que, a intensidade tecnológica das exportações deste sector dará um enorme contributo para este indicador das exportações portuguesas.

Embora a intensidade de criação de sinergias e cooperação entre empresas da Fileira ocorra ainda em grau relativamente baixo - um traço sociológico típico de Portugal e do seu empresariado - (apenas 32,6% das empresas da amostra estudada está filiada em colectivos ou associações), é certo que uma larga maioria (81,1%) das Empresas afirma desenvolver cooperação com o Sistema Científico e Tecnológico e afirmando manter algum tipo de relação com o SCT, em contraposição com os 19% de empresas que não indicam qualquer tipo de relação ou diálogo. Parte significativa das empresas afirmou que a sua ligação com o SCT é muito frequente (em 20,0% dos casos), ou frequente (em 30,5%), e pouco frequente em 30,5% dos casos.

Quando se estudou o grau de satisfação das empresas no seu relacionamento com o SCT, as respostas referem essa relação como “excelente” (51,6%) e 20% consideram ser “boa”. Os níveis de opinião negativos, sobre as relações das empresas com o SGT são relativamente reduzidos (1,1% avalia esta relação como sendo “fraca”).

Ainda assim, quando se tentou determinar objectivamente (através de um survey aos empresários e gestores) se as tecnologias e processos que utilizam provinham maioritariamente das relações com o Sistema Científico e Tecnológico, a resposta é significativamente “não”, assumida por uma esmagadora maioria das empresas (89,5%). Valor este que deve constituir motivo de reflexão para os stakeholders e agentes implicados nestes processos de cooperação Universidades-empresa.

Já ao nível de promoção internacional e constituição de networking 18,8% de empresas da amostra declarou já ter participado alguma vez em ”Feiras Internacionais”. Regista-se ainda que, apesar de tudo, as empresas do sector participam frequentemente em “Seminários, encontros e simpósios” (26,4%) e em “Congressos” (23,1%) sobre assuntos do seu interesse de actividade, o que denota a atenção e a preocupação de estar actualizadas e acompanhar o que de relevante acontece nos seus sectores.

Relativamente a apoios públicos, constata-se que 29% das empresas da fileira, afirmou ter beneficiado de apoios públicos do QREN (maioritariamente para Investigação, financiamento de projectos, formação e investimento produtivo) enquanto um valor idêntico de empresas não terá usufruído de qualquer apoio.

Em síntese: estamos perante um conjunto de empresas e entidades muito interessante, que encerram um grande potencial de construção de Valor e de Internacionalização, que importa congregar através de acções concretas de cooperação em rede, estrategicamente enquadradas numa óptica de fileira e de construção de sinergias.

A equipa responsável pela elaboração do Estudo considerou ainda que só com os contributos de todos os stakholdres, e com o empenho e os esforços de todos os actores implicados (os Poderes públicos, a iniciativa Privada, a Ciência e conhecimento e as Associações e Clusters) será possível promover o crescimento e a internacionalização desta Fileira de negócio.

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